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11 junho, 2017 • 8:30 Enviado por IBA FMRP-USP

Caracterização de subpopulações de células dendríticas convencionais em diferentes tecidos humanos

Por: Sandra Palma e Taline Monteiro Klein (doutorandas IBA/FMRP-USP)

Editora Chefe: Vanessa Carregaro Pereira

As células dendríticas (CDs) conhecidas como as verdadeiras sentinelas de nosso sistema imune são elementos-chave na captura e apresentação de antígenos para os linfócitos T. Diversos estudos em modelo murino demonstraram que as CDs estão distribuídas nos diferentes tecidos linfoides e não linfoides apresentando diferentes tipos de marcadores de ativação, migração e maturação. Devido a essa diversidade de fenótipos, as CDs convencionais (CDcs) foram subdivididas em CDs clássicas do tipo 1 (CDc1) e CDs clássicas do tipo 2 (CDc2). As CDc1 caracterizam-se por expressar CD8α ou CD103 e preferencialmente especializadas na apresentação cruzada de antígenos via MHC-I para células T CD8+. Já as CDc2 caracterizam-se por expressar CD11b, dentre outros marcadores, e promovem a diferenciação das células T CD4+. Devido a suas homologias ontológicas e funcionais a essas CDcs murinas , CDcs humanas foram caracterizadas e classificadas também como CDc1 (expressando o marcador CD141) e CDc2 (expressando o marcador CD1c+) originalmente identificadas em sangue periférico e depois em tecidos humanos. Contudo, o número reduzido de amostras teciduais disponíveis e a grande maioria desses tecidos serem provenientes de algum tumor ou trauma, pouco é sabido a cerca da caracterização dessas células, os fenótipos de maturação e migração entre os tecidos periféricos para os órgãos linfoides. Neste sentido, o trabalho de Tomer Granot e colaboradores caracterizou a distribuição, maturação e migração das populações de células dendríticas convencionais (CDcs) em diferentes tecidos humanos de 78 doadores. Os tecidos estudados foram medula óssea, sangue, órgãos linfoides secundários – baço, linfonodo pulmonar (LP), linfonodo traqueal (LT), linfonodo pancreático (LP), linfonodo mesentérico (LM) e placa de Peyer (PP) – tecidos de mucosa como o pulmão e intestino (jejuno, íleo e cólon) e o apêndice. Os resultados obtidos demonstraram que duas populações de cDCs estavam distribuídas em todos os tecidos analisados. A subpopulação cDc1 expressou marcadores característicos como CD8α+ CD141+ Clec9A+ CD26+ e um novo marcador CD13. A subpopulação CDc2 expressou marcadores como CD4+ Sirp-α+ e CD1c+. Contudo, CDc2 apresentou uma maior proporção de células em todos os tecidos, com maiores números nos LPs e no pulmão e maior capacidade migratória e de maturação, representadas pela alta expressão dos marcadores CCR7 e HLA-DR) respectivamente. De maneira interessante, os autores observaram que a caracterização das subpopulações de CDcs era mantida ao longo da vida humana, com exceção das regiões intestinais do jejuno e do apêndice, que apresentaram um maior número de CDc1 nos estágios iniciais da vida. Ainda, nos linfonodos mesentéricos a subpopulação de CDc2 teve seu número aumentado ao longo dos anos de vida, equiparando-se ao observado nos linfonodos pulmonares. Esses dados indicam que a distribuição das subpopulações de CDcs é uma característica sítio-específica dos tecidos mantendo-se constante em diferentes indivíduos analisados. As pequenas alterações nessa caracterização observadas nos extremos da vida (crianças – idosos) indicam mudanças teciduais específicas que influenciam a composição de CDcs nos tecidos. A caracterização das subpopulações de CDcs realizada por Granot tem um papel importante no esclarecimento da biologia dessas células em tecidos humanos. Dessa forma, têm-se subsídios para o desenvolvimento de novas terapias baseadas em células dendríticas, que seriam importantes em várias doenças, incluindo o câncer e doenças infecciosas.

Fig 11

Figura -1. Figura esquemática da caracterização das subpopulações de células dendríticas humanas convencionais nos tecidos pulmonares e intestinais e seus linfonodos drenantes, nos estágios iniciais da vida e em adultos. Em crianças e adultos as características de distribuição, maturação e migração das CDcs é semelhante, com maior número de CDc2 nos tecidos e nos linfonodos, sendo CDc2 com maior fenótipo de maturação (indicado pela coloração azul escura). O tecido intestinal nos estágios inicias da vida humana apresenta uma alteração, com números quase que equivalentes de CDc1 e CDc2, e com o passar dos anos CDc2 se torna mais predominante.

Referências bibliográficas

1- Granot et al. Dendritic Cells Display Subset and Tissue-Specific Maturation Dynamics over Human Life. Immunity 46, 504–515, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.immuni.2017.02.019

2- Bachem et al. Superior cross-presentation and XCR1 expression define human CD11c+CD141+ cells as homologues of mouse CD8 dendritic cells. 6, 1273- 1281, 2010.

3- Haniffa et al. Human tissue contain CD141hi cross-presenting dendritic cells with functional homology to mouse CD103+ nonlymphoid dendritic cells. 37, 60-73, 2012.

4- Guilliams et al. Dendritic cells, monocytes and macrophages: a unified nomenclature based on ontogeny. Nature Reviews Immunology 1-8, 2014