gif_site_mucosal
26 abril, 2017 • 2:39 Enviado por Joao Carmo

Como a dieta pode mudar o seu DNA – Epigenética e PANCS – Dia Internacional da Imunologia

Estudos recentes sugerem que o que você come pode modificar seus genes e potencialmente sua prole.

Por muito tempo, os nutricionistas sabem que “você é o que você come” não é apenas uma expressão. Estudos recentes sugerem que o que comemos nos afeta e às vezes até nossos filhos e netos.

Epigenética é o estudo de como diferentes sinais biológicos e ambientais afetam a expressão gênica. Em vez de mudar o próprio DNA, os sinais epigenéticos podem, por exemplo, provocar alterações no número de grupamentos químicos metila aderidos a um gene, ligando-o ou desligando-o. A dieta de uma pessoa é uma importante fonte de sinais epigenéticos, e agora os cientistas estão investigando como os hábitos alimentares modificam a expressão gênica em adultos e sua prole. O entendimento desta relação poderia ajudar os pesquisadores a identificar elementos nutricionais que poderiam prevenir ou tratar doenças como a obesidade, o diabetes, doença arterial coronariana e o Alzheimer.

Segundo alguns desses estudos, a epigenética impacta a diferenciação e modula como as células funcionam a longo prazo, tornando vital o entendimento de como a nutrição durante a gravidez pode impactar múltiplas gerações.

Estudos epidemiológicos mostram como certas exposições moldaram a saúde de populações específicas com o tempo, particularmente entre mãe e filhos. Um exemplo famoso é o Dutch Hunger Winter (Inverno Holandês da Fome, numa tradução livre). Em 1944, uma onde de fome atingiu o oeste da Holanda, forçando os habitantes – incluindo mães grávidas – a viver com dietas entre 400 e 800 calorias por dia. Quando os cientistas estudaram posteriormente os bebês concebidos durante este período, encontraram elevadas taxas de obesidade, perfis lipídicos alterados e doença cardiovascular na idade adulta.

Em um estudo conduzido pelo German Research Center for Environmental Health (Centro Alemão de Pesquisa em Saúde Ambiental) e publicado na Nature Genetics em 2016, camundongos geneticamente idênticos que consumiram uma dieta rica em lipídios provavelmente produziram mais prole obesa com tolerância prejudicada à glicose, um sinal inicial de diabetes tipo 2.

Moshe Szyf, um geneticista da Faculdade de Medicina da McGill University em Montreal, Canadá, está investigando a base epigenética de múltiplas doenças, incluindo a depressão e o Alzheimer. Ele recentemente contribuiu em um paper na Biological Psychiatry em fevereiro último, sobre a conexão entre infecção materna em camundongos fêmeas grávidas e o risco de desenvolvimento de doenças do neurodesenvolvimento na prole, embora ainda não esteja claro esse impacto na dieta humana.

Uma complicação é a complexidade do genoma. Junto com a dieta, exercício,ambiente e humor também podem afetar a expressão gênica. Em um estudo publicado em 2014 em Epigenetics, cientistas do Karolinska Institute na Suécia pediram a 23 homens e mulheres que se exercitassem com bicicleta usando apenas uma perna por 45 minutos, 4 vezes por semana durante 3 meses. Ao comparar biópsias de músculo antes e após o experimento, eles acharam que no músculo exercitado, novos padrões tinham se desenvolvido em genes associados com resposta a insulina, inflamação e metabolismo energético.

Nutrição, exercício e outros fatores ambientais são apenas parte do quebra-cabeça que afeta o risco individual de desenvolver condições particulares ou doença. Mas quanto mais pesquisamos, mais respostas encontraremos, e melhor poderemos trabalhar para melhor nossa saúde e sistema imune.

Aproveitando a deixa, reforço o convite para participar do Workshop Internacional da Imunologia, que será realizado nos dias 28 e 29 de abril de 2017, próximas 6a e sábado. Inscrições ainda podem ser feitas no link http://www.itumbiara.ueg.br/noticia/30072_workshop_dia_internacional_da_imunologia_ , até o dia 27 de abril. Outras inscrições após essa data somente no local, sujeito a vagas. Minicurso já com vagas esgotadas! (Sucesso!)

O cardápio do coffe break e da confraternização, que serão realizados com PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), preparados pelas PANiCquetes, com a organização da Profa. Dra Cristiane Bolina, está apetitoso e já estou salivando: danoninho de inhame com morango (olha a imunologia das mucosas aí, gente!), geleia de jasmim e manga, torta de inhame com abacaxi, bolo de cenoura e moringa, chá de hortelã, água saborizada, só pra dar um gostinho… Vamos comer?

Fonte: Renee Morad, Scientific American, 24 de Abril, 2017

https://www.scientificamerican.com/page/sponsored/nestle/how-diet-can-change-your-dna/?wt.ac=SA_Custom_1704_Nestle_YOUAREWHATYOUEAT_TW