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23 abril, 2013 • 12:00 Enviado por Josiane Sabbadini Neves

DNA traps em eosinófilos : an update

Retirado de Ueki et all, Blood, 121, 2074, 2013
A liberação de redes (nets) de DNA por diferentes células incluindo neutrófilos, mastócitos e eosinófilos frente a estímulos incluindo LPS, PMA, citocinas e patógenos tem sido considerada um importante mecanismo utilizado pela resposta imune inata para conter e matar agentes infecciosos. Muitos estudos utilizam o neutrófilo como modelo e muito do que se sabe atualmente sobre essa linha de investigação vem desses estudos. Em muitos trabalhos a liberação de redes de DNA pelos neutrófilos estaria associada à morte das células sendo o DNA liberado de origem nuclear (Brinkmann et all, Science, 303, 1532, 2004). Controvérsias ainda existem a esse respeito e alguns trabalhos evidenciam que não necessariamente a liberação de redes de DNA estaria associada com morte e perda de função celular (Yipp et al, Nat Med, 18, 1386, 2012). Outros evidenciam neutrófilos liberando DNA de origem mitocondrial (Yousefi et all, Cell Death Differ, 16, 1438, 2009).  

Em eosinófilos, especialmente, até muito recentemente, só haviam relatos na literatura que evidenciavam a liberação (catapult-like) de DNA mitocondrial que juntamente com proteínas catiônicas secretadas pelo eosinófilo (tais como ECP e MBP) formariam verdadeiras armadilhas (traps) para o ataque a patógenos. Este processo parece não envolver morte celular (Yousefi et all, Nat Med, 14, 949, 2008 e Morshed et all, Allergy, 67, 1127, 2012).
Agora em 2013 Ueki e colaboradores (Ueki et all, Blood, 121, 2074, 2013) mostram que eosinófilos podem liberar redes de DNA nuclear juntamente com seus grânulos secundários intactos num processo citolítico dependente de espécies reativas de oxigênio. O artigo é interessante porque mostra que pelo menos parte desses grânulos liberados são capazes de atuar como organelas secretórias independentes, permanecendo funcionais e respondendo seletivamente a estímulos mesmo fora da célula. De fato esse achado já havia sido demonstrado anteriormente (Neves et all, PNAS, 105, 18478, 2008), mas não para grânulos provenientes desse processo de citólise batizado de ETose. Os autores também mostram que “pacotes” de grânulos envoltos em membrana plasmática também são liberados, e nesta forma os grânulos não se apresentam funcionais. 
Vale a pena a leitura !!!
Aproveito para desejar a todos uma excelente terça-feira e para os que são do Rio um ótimo feriado do dia de São Jorge, esse santo tão querido em terras cariocas !!! 
Josi