banner_immuno2018
23 junho, 2011 • 4:17 Enviado por Kelly Grace Magalhaes

Entenda a memória, desenhe melhores vacinas!!!

Este é o título do artigo de Michael Bevan da Universidade de Washington que abre uma série de ótimas revisões sobre a memória imunológica que a Nature Immunology trouxe nesse mês de Junho. Os artigos trazem atualidades sobre memória de linfócitos T e B, exaustão imunológica, fatores importantes na geração de memória, compartimentalização física da memória, desenvolvimento de novas vacinas, e o controverso e interessante tópico sobre a memória de células NK que eu já abordei aqui no Blog algum tempo atrás. Muito já se sabe sobre os eventos que levam a geração de memória imunológica por linfócitos de memória TCD8+, contudo muitos acreditavam que talvez nem existisse linfócitos de memória TCD4+. Entretanto, Pepper & Jenkins (2011) mostraram fortes evidências de que subpopulações de linfócitos TCD4+ Th1, Th2 e Th17 podem se tornar estáveis linfócitos T de memória. Além disso, linfócitos TCD4+ e B dos centros germinativos poderiam interagir e gerar linfócitos B de memória e plasmócitos de longa duração, como mostrado por Nutt & Tarlinton (2011) que discutem se linfócitos B e TCD4+ seriam irmãos, primos ou apenas bons amigos! Como as células de memória são mantidas por longos períodos é outro tema intrigante abordado por Sprent & Surh (2011) que mostraram que surpreendentemente células de memória podem existir antes mesmo do contato com o patógeno! Eles apontaram que citocinas com cadeia-g como, por exemplo IL-7, em conjunção com os sinais de baixa intensidade gerados através da ativação do TCR por antígenos próprios levariam a formação de células com fenótipo de memória. Outro ponto bacana é como células de memória podem residir em tecidos não-linfóides, como por exemplo, a pele e a mucosa, agindo como a primeira linha de defesa contra a infecção microbial, mostrando que de fato a resposta imunológica pode ser compartimentalizada (Sheridan & Lefrançois 2011). Além disso, a resposta imune adaptativa precisa ser controlada, uma vez que uma falha nesse processo pode levar a exaustão de linfócitos T, ou seja, um estado de estimulação crônica de células T Wherry (2011). Estas células poderiam ainda estar associadas ao envelhecimento, e a presença deste tipo de linfócitos T deve ser um importante fator a se levar em consideração quando se pensa em vacinas para idosos. Outro velho paradigma da Imunologia que está sendo quebrado é o de que o fenômeno da memória é apenas mediado por linfócitos T e B. Tem surgido cada vez mais evidências de que células natural killer (NK) tem propriedades de memória-like. Esse é particularmente um dos meus temas favoritos em se tratando de memória imunológica. Paust & Adrien (2011) discutem as propriedades de memória-like das células NK nas respostas de hipersensibilidade tardia e nas infecções virais. A Science deste ano, nos meses de Janeiro e Abril, também trouxe ótimos artigos sobre como células NK tem a capacidade de alterar o seu comportamento baseado em uma ativação prévia, uma característica análoga à memória imunológica adaptativa. Sim, o tema é controverso! Mas é super interessante e levanta questionamentos e boas discussões sobre os paradigmas do que se acredita hoje na Imunologia.
Figura de Michael J Bevan – Nature Immunology (2011) 12: 463–465
Os artigos citados aqui podem ser encontrados na Nature Immunology, June 2011, Volume 12, No 6, pag 461-575.

  • Parabéns Kelly!!! Mais um excelente post! Realmente memória imunológica é uma das áreas mais fascinantes da imunologia, e ainda há muito a se entender sobre ela!

  • Ótimo tema Kelly! Também tenho muito interesse nesses novos estudos mostrando essa capacidade de memória-like das NK. É hora de novas abordagens no estudo da imunidade inata!!!!!!!

  • Anônimo

    Valeu pela dica! Esse número da Nature Immunology é mesmo excelente!