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10 junho, 2018 • 9:00 Enviado por IBA FMRP-USP

Good News – Agora sabemos o que deixa o coração duro!

Post por: Paula Viacava e Robson Kriiger Loterio (doutorandos IBA -FMRP/USP)

Editora: Luciana Benevides

A insuficiência cardíaca representa um importante problema de saúde mundial, responsável por ¼ das mortes em países desenvolvidos. Os pacientes são divididos em grupos que apresentam problemas com a sístole (contração), o quadro mais prevalente, ou problemas com diástole HFpEF (relaxamento), tema que não recebeu muita atenção nas últimas décadas.

Até o momento se sabe que cerca de 10% das células do coração são macrófagos. Geralmente estão envolvidos na reciclagem da matriz extracelular e monitoram a homeostase do microambiente2. Essas características também são importantes no desenvolvimento de doenças. Em uma situação de lesão cardíaca, esse tipo celular prolifera, além de haver recrutamento de monócitos para o tecido lesionado.

Visto que essa célula não é muito estudada em doenças cardíacas, o objetivo desse artigo foi investigar a origem e o papel dos macrófagos na disfunção da diástole. Para isso, utilizaram dois modelos animais bem caracterizados para estudar essa disfunção cardíaca: o primeiro, conhecido como SAUNA, uma combinação do aumento de sódio na água, nefrectomia unilateral e injeções de aldosterona. O segundo com animais idosos, entre 18 e 30 meses. Os autores observaram que nesses modelos houve aumento de macrófagos cardíacos, assim como em biópsias de pacientes com hipertensão e HFpEF. Além disso, foi possível observar um aumento de células imunes no sangue e da hematopoese pela medula óssea e pelo baço. Ao investigarem as mudanças fenotípicas dos macrófagos, encontraram uma maior expressão de IL-10. Os autores mostraram que a citocina IL-10 produzida principalmente pelos macrófagos cardíacos age de maneira autócrina nos próprios macrófagos induzindo a produção da osteopontina (OPN), a qual causa a ativação e diferenciação dos fibroblastos cardíacos, causando fibrose e endurecimento do tecido cardíaco. Esse papel da IL-10 foi comprovado ao utilizarem animais onde os macrófagos não produziam essa molécula. Nesse caso, os sintomas da disfunção da diástole foram reduzidos nesses animais. Por fim, essa pesquisa demonstrou a importância dos macrófagos cardíacos e os tornou possíveis alvos terapêuticos contra disfunções cardíacas (Figura 1).

Figura

Figura 1. Recrutamento, expansão e papel dos macrófagos cardíacos durante o desenvolvimento de disfunções diastólicas. HSPCs: células progenitoras hematopoiéticas; ROS: espécies reativas de oxigênio; MMPs: metaloproteinases; OPNs: osteopontina. (Adaptada de Hulsmans et al., 2018).

Referências

  1. Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2008: the Task Force for the Diagnosis and Treatment of Acute and Chronic Heart Failure 2008 of the European Society of Cardiology. Eur Heart J. 2008; 29 (19): 2388-442.
  2. Hendrik et al. Proliferation and recruitment contribute to myocardial macrophage expansion in chronic heart failure. Circulation Research july 2016. https://doi.org/10.1161/CIRCRESAHA.116.309001
  3. Hulsmans et al., Cardiac macrophages promote diastolic dysfunction. JEM (2018), DOI: https://doi.org/10.1084/jem.20171274.