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10 julho, 2016 • 8:00 Enviado por IBA FMRP-USP

IL-17 maternal no desenvolvimento do autismo em crianças

Por: Gabriela Pessenda e Jéssica Santos (Doutorandas IBA)

Editor Chefe: Vanessa Carregaro

O Transtorno do Espectro Autista (Autism Spectrum Disorder – ASD) é uma desordem do desenvolvimento neurológico que compreende malformações corticais e subcorticais e tem como característica a manifestação de déficits de interação social e comunicação, bem como, comportamentos repetitivos e estereotipados. A etiologia do ASD ainda não é bem definida, mas há indícios de que influências genéticas e ambientais interagem de maneira multifatorial na gênese deste transtorno (Park, 2016).

 A possível influência de uma infecção materna durante a gestação sobre o desenvolvimento do cérebro do bebê tem causado intensas discussões no meio acadêmico e fora dele. Evidências sugerem que a Ativação Imune Materna (Maternal Immune Activation – MIA) altera o desenvolvimento do cérebro, podendo ter uma relação causal com o ASD, e que a IL-6 é suficiente e necessária para induzir tais eventos (Garbet, 2012).

Em trabalho, publicado pela Science em fevereiro desse ano, Choi e colaboradores ( e comentado por Estes e McAllister, 2016) demonstraram que a ativação do sistema imune materno, durante a gravidez, induz a elevação dos níveis de IL-6 e IL-17a no soro materno (Figura 1), resultando em aumento na expressão de IL-17Ra no cérebro fetal. O aumento de IL-17Ra relaciona-se com alterações estruturais corticais, assim como o surgimento do fenótipo característico de indivíduos com transtorno do espectro autista; dentre eles a redução na interação social e a realização de movimentos repetitivos e estereotipados. Utilizando modelos de indução de ativação imune materna, através da administração de poly (I:C), e empregando fêmeas transgênicas, ou deficientes em linfócitos Th17, ou bloqueando a IL-17a materna com anticorpos, os autores observaram reversão do fenótipo autista na prole. Assim como a administração direta de IL-17a no cérebro de fetos de mães saudáveis induziu ao fenótipo autista alterado. Como conclusão, os autores propõem que tratamentos envolvendo o bloqueio da L-17a materna possam contribuir com a redução de fenótipos associados ao transtorno do espectro autista em mães já suscetíveis.

Fig post 7

Figura 1 Papel de IL-17 no desenvolvimento do ASD Em mães suscetíveis, a ativação do sistema imune durante a gravidez resulta em elevação dos níveis de IL-6, que contribuem para o desenvolvimento de linfócitos Th17 produtores de IL-17a. Como consequência, ocorre aumento dos níveis séricos maternos de IL-17a resultando no aumento da expressão de IL-17Ra no cérebro fetal que, junto com a IL-17 materna, promove alterações no desenvolvimento cortical do cérebro as quais estão relacionas com surgimento do fenótipo autista.

 

Referências:

  1. Hye Ran Park, Jae Meen Lee, Hyo Eun Moon, Dong Soo Lee, Bung-Nyun Kim, Jinhyun Kim, Dong Gyu Kim, Sun Ha Paek. A Short Review on the Current Understanding of Autism Spectrum Disorders Exp Neurobio,. 2016 . DOI: 10.5607/en.2016.25.1.1.
  2. KA Garbett, EY Hsiao, S Kalman, PH Patterson, K Mirnics. Effects of maternal immune activation on gene expression patterns in the fetal brain. Transl Psychiatry, 2012 DOI:10.1038/tp.2012.24.
  3. Gloria B. Choi, Yeong S. Yim, Helen Wong, Sangdoo Kim, Hyunju Kim, Sangwon V. Kim, Charles A. Hoeffer, Dan R. Littman, Jun R. Huh. The maternal interleukin-17a pathway in mice promotes autism like phenotypes in offspringScience, 2016 DOI: 10.1126/science.aad0314.
  4.  Myka L. Estes, A. Kimberley McAllister. Maternal TH 17 cells take a toll on baby’s brain. Science, 2016 DOI: 10.1126/science.aaf2850