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23 setembro, 2012 • 11:35 Enviado por Pinge-Filho

Imunologia ecológica

Phileno Pinge Filho – UEL

 
Imunologia
ecológica é um campo em rápida expansão que examina as causas e consequências
da variação da resposta imune no contexto da evolução e da ecologia. Milhões
de espécies de invertebrados dependem exclusivamente da imunidade inata, em
comparação com apenas 45.000 espécies de vertebrados que dependem
adicionalmente da imunidade adquirida. O sistema imunológico dos vertebrados e em particular de
organismos-modelo, como o camundongo tem sido amplamente caracterizado. A
utilização de organismos-modelo mantidos em condições controladas é de extrema valia
para a compreensão dos mecanismos complexos que explicam a imunidade. Contudo, uma
compreensão da imunidade no contexto dos ambientes naturais teve inicio somente
na década de 1990 com o surgimento da imunologia ecológica [1]. Atualmente, a
imunologia ecológica é sustentada por um grande número de estudos voltados para
tópicos como os custos da imunidade e a utilização ótima da resposta imune [1,2,4].
Os
conceitos que norteiam a base da imunologia ecológica são de grande importância
para as áreas de saúde e medicina. Eles nos permitem, por exemplo, compreender
a variabilidade das respostas imunes entre populações, relacionar com o surto
de doenças em humanos como em animais de importância econômica [2,3].

Daphnia
magna-Pasteuria ramosa
:
um modelo de estudo em imunoecologia

 

Daphnia
são pequenos crustáceos de água doce (~ 1-3 mm), utilizados em investigações de
diversas áreas, incluindo toxicologia, ciclo de vida, fisiologia, nutrição e
parasitologia. Daphnia foi objeto de estudo de Metchnikoff em 1884 em seu
trabalho pioneiro sobre imunologia celular de invertebrados. Interessante
é que no campo, a obtenção de dados epidemiológicos é relativamente simples,
porque a carapaça clara de Daphnia permite a identificação fácil de
infecções por bactérias, por exemplo [4]. Na fotografia da esquerda, D.
magna
está saudável (observe os embriões no interior da câmara), enquanto
a fotografia da direita, D. magna está infectada com a bactéria Pasteuria
ramosa,
que inviabiliza o desenvolvimento dos embriões, observe a câmara
de criação vazia (uma clara indicação de redução na capacidade de reprodução da
D. magna). Epidemias são comuns e
graves neste sistema, mas altamente variável no espaço e no tempo. Este sistema
permite medidas de densidade de bactérias, devido à facilidade na determinação
do número de bactérias/hospedeiro além de medidas da magnitude da resposta
imune. Além disso, o tempo de geração de Daphnias é curto (cerca de 10 dias) e
possibilita o estudo em tempo real da evolução da resposta antiparasitária.
De
qualquer maneira, até que a dificuldade para utilizar camundongos e ratos em
estudos de imunologia diminua, é bom deixar a mão o material para coleta destes
crustáceos superinteressantes. Mas, eu estou tão acostumado com o modelo de hospedeiro-vertebrado!
Quem sabe minha draga não traz um “zebrafish”…

Referências Bibliográficas:

[1] Sheldon BC, Verhulst S (1996) Ecological immunology:
costly parasite defences and trade offs in evolutionary ecology. Trends in Ecology
& Evolution. 11:317–321.

[2] Ben M,
Schmid-Hempel P (2009)
Principles of ecological immunology. Evol
Appl. 2 (1): 113–121.

[3] Tripet F,
Aboagye-Antwi F, Hurd H (2008) Ecological immunology of mosquito-malaria
interactions. Trends in Parasitology.24:219–227.

[4] Graham AL, Shuker
DM, Pollitt LC, Auld SKJR, Wilson AJ, Little TJ (2011) Fitness
consequences of immune responses: strengthening the empirical framework for
ecoimmunology. Function Ecolology. 25 (1):5-17.