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22 abril, 2018 • 8:20 Enviado por IBA FMRP-USP

Memória além da imunidade: papel de Stem cells epiteliais na cicatrização de tecidos

Por: Bruna Bertol e Paula Viacava (Doutorandas IBA/FMRP-USP)

Editora: Vanessa Carregaro

          A diabetes do tipo 1 (DT1) é uma doença autoimune que resulta na destruição das células beta pancreáticas. Muitas células da imunidade inata e adaptativa contribuem para o desenvolvimento da DT1, mas ainda existe uma grande discussão sobre o papel células no desenvolvimento de doenças inflamatórias como a DT1 (1).

          Foi demonstrado por Franciszkiewicz e colaboradores (2) a relação e função das células T invariantes associados a mucosa (MAIT) com o desenvolvimento da DT1. As células MAIT pertencem a um subgrupo de células da imunidade inata, apresentando um TCR invariante, que reconhece produtos da riboflavina presentes em bactérias, que são apresentados por um MHC monomórfico (MR1). Nesse estudo foi demonstrado que, embora o número de células MAIT esteja diminuído em pacientes com DT1, em relação a indivíduos saudáveis, essas células estavam com um perfil mais ativado, expressando mais granzima B e TNF.

          Interessante, as células MAIT quando ativadas produzem mediadores inflamatórios que atuam de forma citotóxica diretamente em células beta pancreáticas. Utilizando modelo experimental em camundongos, foi visto que as células MAIT estão mais ativadas expressando mais granzima B e IFN-y no pâncreas. Em contrapartida, a ausência total de células MAIT induz maior lesão no epitélio do intestino, além de aumento da permeabilidade intestinal, o que favorece a invasão da microbiota, aumentando o infiltrado e proliferação de células do sistema imune. Como consequência, ocorre exacerbação do processo inflamatório na mucosa, demonstrando, assim, um papel protetor das células MAIT na integridade da mucosa intestinal e desenvolvimento da DT1 (3).

          Em resumo, as células MAIT podem ter um papel protetor ou patológico durante o desenvolvimento da DT1 e parece que isso está associado ao microambiente e órgão que essa célula se encontra.

Post 15

Figura 1. Rápida resposta de reparo tecidual em stem cells epiteliais (SCE) por Xing Dai (3). O DNA genômico é empacotado com proteínas para formar um complexo chamado cromatina. Em regiões onde o DNA é firmemente empacotado, a expressão gênica é frequentemente reprimida. Naik e colaboradores demonstraram que regiões específicas da cromatina em SCE da pele de camundongos se tornam abertas quando a pele sofre uma lesão inflamatória. Este evento conduz a rápida ativação do gene AIM2, que codifica uma proteína que ativa caspase-1 (CASP-1) e interleucina-1β, desencadeando resposta inflamatória. Os autores demonstraram que algumas regiões da cromatina permanecem persistentemente abertas após um primeiro evento inflamatório, incluindo a região que codifica o gene AIM2, possibilitando uma acelerada resposta de re-epitalização e reparo tecidual mediante um segundo evento inflamatório. 

 

 

Referências

  1. Shruti Naik, Samantha B. Larsen, Nicholas C. Gomez, Kirill Alaverdyan, Ataman Sendoel, Shaopeng Yuan, Lisa Polak, Anita Kulukian, Sophia Chai, Elaine Fuchs. Inflammatory memory sensitizes skin epithelial stem cells to tissue damage. Nature, v.550, oct, 2017.
  1. Manolis Pasparakis, Ingo Haase & Frank O. Nestle. Mechanisms regulating skin immunity and inflammation. , 14, 289–301, april 2014.
  1. Xing Dai. Memory beyond immunity. Nature, v. 550, oct, 2017.