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15 outubro, 2017 • 8:30 Enviado por IBA FMRP-USP

Microambiente imunossupressor após infecção primária induz suscetibilidade à infecções secundárias

Por: Isabel Guerra e João Paulo (Doutorandos IBA/FMRP-USP)

Editora Chefe: Vanessa Carregaro

Post 2

Reprodução: http://www.cell.com/immunity/abstract/S1074-7613(17)30281-9

Pneumonia é umas das principais causas de morte por doenças infecciosas, e o risco do seu desenvolvimento mais grave em 30-50% dos pacientes aumenta após uma infecção primária. Sabe-se, atualmente, que a suscetibilidade a uma infecção secundária aumenta devido à aquisição de defeitos da imunidade, conhecido como imunossupressão induzida por sepse. No presente artigo, Roquilly et al. (2017) utilizam um modelo de pneumonia bacteriana em camundongos para demonstrar os mecanismos reguladores que diminuem a resposta imune local. A infecção primária foi realizada através de uma infecção com E. coli ou vírus da Influenza A. Após a resolução da infecção primária, os camundongos foram re-infectados com a E.coli para a avaliação da resposta imune durante a infecção secundária através do perfil de citocinas e fenótipo de células no local da infecção. Inicialmente foi observado aumento nos níveis de TGFβ e de células T reguladoras no tecido do pulmão pós-infecção. O tratamento com anticorpos anti-TGFβ, durante a resolução da infecção primária, diminuiu a carga bacteriana, melhorando a resposta de células T ao desafio secundário, além de diminuição da acumulação de células Treg nos tecidos. Demonstra-se assim o papel central do TGFβ na indução de células T reguladoras e consequentemente, na suscetibilidade da infecção secundária. Esse microambiente imunossupressordeterminado por TGFβ e Treg foi responsável pelo desenvolvimento de macrófagos e células dendríticas (DC) “paralizadas”, com capacidade reduzida de apresentação de antígeno e secreção de citocinas pró-inflamatórias. A expressão de IRF-4 , fator de transcrição associado à capacidade de apresentação de antígeno esteve reduzida nessas células, porém Blimp1, fator de transcrição associado às funções tolerogênicas, aumentada . Corroborando os dados observados em modelo animal, foram avaliadas em humanos a expressão de Blimp1 e número e frequência de células T reguladoras em uma segunda infecção, tanto por sepse como por trauma, correlacionando com a gravidade da doença e complicações e demonstrando a relevância desses dados em humanos. Coletivamente, essas respostas demonstram uma base para o desenvolvimento de um estado de imunossupressão que no modelo experimental usado por Roquilly et al. (2017) foi prolongado, podendo estender-se além de 30 dias após um desafio primário.

 

 

Referência

 

Roquilly, A., McWilliam, H.E.G., Jacqueline, C.,Tian, Z., Cinotti, R., Rimbert, M., Wakim, L., Caminschi, I., Lahoud, M., Belz, G., et al. (2017). Immunity 47, this issue, 135–147.