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21 junho, 2011 • 12:59 Enviado por Gabriel Victora

Moonwalking bear

Há alguns dias um amigo meu me mostrou o seguinte vídeo no Youtube:

Vendo esse vídeo eu pensei – taí um bom paralelo com a ciência: os grandes cientistas são aqueles que conseguem enxergar o moonwalking bear.

Tem alguns exemplos óbvios, como Newton com a gravidade – até quem nao entende nada de física percebe o tamanho do urso que estava dançando lá no fundo. Na Biologia os exemplos são vários, desde Darwin com a evolução até o Craig Mello com o RNA de interferência. Na Imuno, eu acho que os melhores exemplos são teoria da seleção clonal e os toll-like receptors, que estavam lá abanando os braços no fundo sem ninguém ver, até aparecerem Talmadge e Burnet e Janeway/Medzhitov/Beutler (além do nosso amigo Momtchilo, é claro). Mas me corrijam se eu estiver errado. E a pergunta óbvia pra mim é: qual é o moonwalking bear da vez? Será que não tem um urso gigante dançando no fundo enquanto a gente se preocupa em contar quantos subtipos diferentes de células T existem em um camundongo? Eu sinceramente espero que sim, porque são esses ursos que empurram a ciência pra frente, não de forma contínua e ordenada, mas aos trancos e barrancos e de paradigma quebrado em paradigma quebrado. Enfim, considerações de quem está prestes a começar o seu próprio laboratório…

  • The Invisible Gorilla: And Other Ways Our Intuitions Deceive Us [Hardcover]
    Christopher Chabris (Author), Daniel Simon

  • GK

    Caro Gabriel eu acredito plenamente que existem esses ursos…E existem ainda pesquisadores que investigam o inesperado. O esperado fica até sem graça…. No mesmo dia em que você colocou esse post o Dario Zamboni também referiu-se a quebra de paradigma… Na verdade, quem iria buscar vida em uma molécula que induz apoptose? Então esse urso gigante estava o tempo todo lá presente, enquanto muitos identificavam apenas as cascatas de morte celular… Muito bom post esse seu…

  • Cristina Bonorino

    Muito legal o post. E falando em coisas que a gente em geral deixa de prestar atenção, tem um livro muito legal, Blink, do Malcolm Gladwell, que fala daquelas impressões que a gente tem e tende a deixar de lado porque não parecem racionais – ou será que são?

    Boa sorte no novo lab, Gabriel!