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1 fevereiro, 2017 Enviado por Comunicação POLÍTICA CIENTÍFICA

FAPs: novas crises, velhos problemas

 

1° de fevereiro de 2017

 

Nas últimas semanas, a inconstitucionalidade do corte dos recursos orçamentários destinados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) trouxe uma grande preocupação à comunidade científica. Tendo motivado, inclusive, o envio ao Estado de São Paulo da Carta da Sociedade Brasileira de Imunologia ao Governador Geraldo Alckmin. A solução dada pelo governo paulista no dia 27 de janeiro está longe de ser a mais adequada, como apresentado nesta carta da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP).

Contudo, se o caso LOA SP 2017 é algo inédito, sendo a FAPESP um exemplo para entidades similares, a verdade é que dificuldades ligadas não só ao cumprimento orçamentário das Fundações de Amparo à Pesquisa de todo o Brasil são uma realidade antiga agravada nos últimos meses.

Não são raras as denúncias históricas de bolsistas a instituições como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) sobre atrasos de pagamento de Fundações como FAPERJ, do Rio de Janeiro, FAPEAM, do Amazonas, FAPERGS, do Rio Grande do Sul, FAPESC, de Santa Catarina, e FAPEMIG, de Minas Gerais.

Mais recentemente, o caso dos cientistas financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro é emblemático sobretudo pelo tempo do atraso, que ultrapassa mais de um trimestre. Ao problema, a resposta oficial do governo carioca é que o pagamento será feito “assim que possível”. Além disso, a FAPERJ perdeu 30% de seu orçamento para 2017, com grande risco de o orçamento existente não ser cumprido.

No penúltimo dia do ano passado (30 de dezembro), a FAPEMIG – tendo como referência a atual crise – anunciou suspensões temporárias e a execução orçamentária de 2016 está muito aquém do devido.

Os atrasos e cortes federais unidos aos atrasos e cortes estaduais formam o ambiente alarmante para o desmantelamento completo da ciência e das carreiras científicas no Brasil, que já eram mantidas a base de muitos esforços. Infelizmente, chegou-se ao ponto em que parte da demanda da comunidade científica brasileira não é mais sobre equipamentos para laboratórios ou melhor formação para pós-graduandos, é sobre feijão na mesa do pesquisador.

A Sociedade Brasileira de Imunologia entende que estamos vivendo um momento crítico e decisivo e conclama os seus associados em todas as regiões do país para mandarem informações detalhadas sobre a situação em seus estados e municípios para este e-mail. Juntos, faremos gestões específicas no sentido de pressionar governos em atenção à Saúde, à Ciência e à Educação.

 

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)

  • Danielle Silva

    Pergunta-se sobre o porquê de não se ter mais investimentos na ciência brasileira. Mas alguém fala sobre a qualidade da pesquisa brasileira? Fala-se sobre o quão inovadora é a pesquisa no Brasil, para justificar a demanda por equipamentos tão caros? Qual o impacto da ciência brasileira no mundo, pois há rumores nos corredores científicos de que os pesquisadores procuram o mesmo assunto durante toda a sua carreira, sem de fato ter um achado significativo. Quantos pesquisadores e/ou aspirantes têm realmente o talento necessário para estar em um local de pesquisa? No Brasil se faz pesquisa ou exercício científico? O ensino dentro da Academia é tecnicista ou libertador? O pós-graduado tem condição de seguir carreira de forma independente? Ele ou ela vai arrumar um emprego pela sua competência?
    Enfim, são muitas perguntas, para as quais poucas são as respostas.

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