banner_immuno2018
3 abril, 2018 Enviado por Comunicação IN MEMORIAM

Morre Ruth Sonntag Nussenzweig, a cientista que inspirou, ensinou e salvou vidas

 

Falecimento aconteceu no dia primeiro deste mês, nos EUA, por embolia pulmonar

 

ruth2A austríaca Ruth Sonntag chegou ao Brasil com a idade de 11 anos, junto com os pais fugindo do regime nazista que avançava com sua perseguição aos judeus em um número cada vez maior de territórios. Filha de médicos, estudou medicina na Universidade de São Paulo (USP), onde sua capacidade de inspirar futuros cientistas teve no próprio futuro marido um grande exemplo, uma vez que ele tendia a vida política.

Ruth Sonntag e Victor Nussenzweig se formaram médicos e cientistas juntos, partindo para uma temporada conjunta na New York University, nos Estados Unidos, na qual concluíram seus pós-doutorados.  

De volta ao Brasil, Ruth precisou enfrentar uma nova diáspora: o retorno, junto com o esposo, aos Estados Unidos como fuga do golpe militar de 1964. Criou, assim, raízes profissionais na universidade americana que antes havia acolhido o casal como pesquisadores.

Ruth queria mudar o mundo pela ciência. Inicialmente trabalhando com Câncer, teve descobertas importantes ligadas a doenças de Chagas e seguiu seus estudos em parasitologia focada na Malária. Foram suas pesquisas básicas que permitiram o desenvolvimento da vacina contra a doença. Seu esposo, imunologista que atuava com fatores de complemento na membrana de células, se uniu na pesquisa a esta doença considerada até hoje como negligenciada pela maior parte da comunidade acadêmica.  

Mãe de três filhos, Ruth foi a primeira diretora de departamento da New York University (Departamento de Parasitologia) e primeira brasileira integrante, em 2013, da prestigiada Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos. Também foi condecorada, em 1998, com a Ordem Nacional do Mérito Científico e agraciada, em 2018, com a medalha Clara Southmayd Ludlow, condecoração recém-criada pela Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene (ASTMH, na sigla em inglês). Publicou ao longo de sua vida acadêmica mais de 300 trabalhos científicos e sempre teve o Brasil como pátria.

A Sociedade Brasileira de Imunologia não só homenageia este exemplo de cientista, como também convida a todos estudantes e futuros pesquisadores a conhecerem mais da trajetória desta grande mulher a partir dos seguinte links:

 

 

banner-abcam-sbi