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24 fevereiro, 2011 • 7:08 Enviado por Joao

Proteína exterminadora

Estudo realizado por Daniel Diniz de Carvalho, sob orientação do professor Gustavo Amarante-Mendes, revela um mecanismo molecular pelo qual células leucêmicas conseguem evadir ao processo de apoptose. O estudo mostra como o neooncogene característico da Leucemia Mielóide Crônica (LMC), BCR-ABL, gerado por uma translocação dos cromossomos 9 e 22, induz a expressão do antígeno tumoral PRAME. Este antígeno é conhecido por ser capaz de incitar uma resposta imunológica mediada por células CD8 contra tumores, porém, o que os autores encontraram foi um aumento da expressão de PRAME durante a progressão da doença. O fato de células mais imunogênicas estarem sendo selecionadas durante a progressão da leucemia vai contra a teoria da vigilância imunológica contra tumores, onde se esperaria que ocorresse uma ‘seleção’ para células menos imunogênicas e sugere que PRAME possa ter funções oncogênicas. Os autores decidiram investigar esta hipótese e observaram que PRAME é capaz de recrutar a proteína EZH2, uma enzima membro do grupo polycomb capaz de metilar lisina 27 em histonas H3 e induzir silenciamento gênico por meio deste mecanismo epigenético. O que eles observaram foi que PRAME era capaz de recrutar EZH2 para o promotor de TRAIL (sigla em inglês para ligante indutor de apoptose relacionada ao fator de necrose tumoral). TRAIL é uma proteína capaz de induzir apoptose seletivamente em células tumorais e, portanto, é um importante mecanismo de supressão tumoral. Concluindo, o trabalho demonstrou que BCR-ABL induz a expressão de PRAME, este então recruta EZH2 para o promotor de TRAIL, silenciando e expressão deste último. Esta inibição de TRAIL desarma um importante mecanismo de supressão tumoral, contribuindo em parte para o desenvolvimento da LMC. Por fim, este trabalho abre novas perspectivas para a terapia desta leucemia, uma vez que os autores demonstraram, in vitro, que a inibição desta via deixa as células leucêmicas mais sensíveis a morte induzida pela principal droga usada no tratamento da LMC atualmente, o Imatinib (Glevec). Já que PRAME é expresso em diversos tipos tumorais, uma pergunta interessante que surge é se este mecanismo também ocorre em outros tumores. Esta possibilidade esta atualmente sendo investigada no laboratório do professor Gustavo Amarante-mendes. Para maiores detalhes sobre o estudo acessem os links abaixo: http://www.agencia.fapesp.br/materia/13418/especiais/proteina-exterminadora.htm http://www.nature.com/onc/journal/v30/n2/full/onc2010409a.html