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28 abril, 2018 • 12:15 Enviado por PPIPA

Recordar é viver…

Prezados colegas,

Escrevo hoje neste espaço, com o objetivo de recordar sobre o blog no início da década, quando tive a oportunidade de publicar o primeiro post do SBlogI em 2010, mediante convite dos professores (e chefes) João Santana, Manoel Barral e Dario Zamboni.

Nestes primeiros momentos, eu e Cristina Caldas assumimos a responsabilidade de atuarmos como ‘editores’ do blog e entendemos, depois de várias horas de discussão, que deveríamos fazer do SBlogI um ponto de encontro da SBI em torno de temas atuais e relevantes para a sociedade. Para isso, precisavamos da participação de percentagem importante da SBI.

Com este objetivo, tentamos diversas estratégias para aumentar a interação com nosso público alvo, como melhorar a comunicação visual do antigo Blogger (um ‘lixo’, se compararmos com os recursos dos dias de hoje), montagem de uma rede enorme de colaboradores, escalas rígidas de postagens diárias – com cobranças por email sobre cumprimento de horários que nem sempre eram bem aceitas pelos colegas, dentre outros. Fato é que todos nós obtivemos sucesso… em algum momento, alguém nos disse que o SBlogI era o blog científico mais acessado do Brasil. Nunca achei esse número, mas pouco importa – estávamos atingindo nossos objetivos, para os nossos, dentro da nossa sociedade.

Muita coisa aconteceu ‘de lá pra cá’ – ou – ‘muita água rolou debaixo da ponte’, como dizem meus colegas Mineiros… mas o SBlogI continua aqui.

Por isso, aproveito esta oportunidade para relembrar um dos momentos mais legais do blog, na minha opinião. Ainda em 2010, fizemos uma série de entrevistas com pesquisadores de referência na Imunologia. Aquelas pessoas que nos faziam ler os papers seminais – ou – estavam nos papers que precisávamos ler… depende do referencial.

Uma dessas, para mim a melhor, foi com o Prof. Shizuo Akira, da Universidade de Osaka, Japão. Naquele época e na minha mui sincera opinião de inicio de carreira como PI, o Akira era um ‘Demi-god’, talvez na mesma prateleira do que o Janeway (a quem encontrei no fim de sua vida – mas essa é uma história para outro post…).

Contudo, o que mais me recordo desta entrevista foi a precisão de suas previsões… ele simplesmente anteviu (ou já estava trabalhando no assunto), em uma curtíssima entrevista, que as próximas ondas de estudos sobre o sistema imune inato seria sobre o reconhecimento de ácidos nucleicos, plasticidade de macrófagos, a intra- e interconectividade da imunologia e outros campos para solucionar as diversas afecções incuráveis, bem como reafirmou a competência brasileira para a imunidade anti-parasitária e sua relevância crescente na imunologia mundial (pena que estamos atualmente nesta situação pouco favorável para o fomento da ciência…).

Relembro este momento também por dois motivos: 1. impressionante que, em março, estive num Keystone Symposia denominado ‘Cells vs Pathogens…”, onde 90% das palestras eram sobre imunidade inata com os atuais ‘cobras’ da área. A maioria dos ’talks’ foi sobre reconhecimento de ácidos nucleicos, oito anos depois e em uma área altamente ‘revolucionária’ e onde muito de conhecimento foi gerado neste interim; 2. Fiquei sabendo no evento, por um ex-aluno dele, que o Prof. Akira acaba de se aposentar…

Segue abaixo a entrevista de 11/2010, que pode ser acessada pelo link: http://sbi.org.br/sblogi-entrevista/

 

SBlogI Entrevista

Shizuo Akira

Uberlândia – Caros, segue abaixo a entrevista que realizei com o Dr. Shizuo Akira na semana passada, por e-mail. Para aqueles que não o conhecem, Dr. Akira é uma das referências mundiais em estudos sobre imunidade inata. Espero que aproveitem…
SBlogIAs far as I could count, you have published over 50-60 paper/year regularly… how can you manage this? Is your lab crowded with post-docs or is your collaborative network very active?
Dr. Akira – Although my lab is active, the numbers of published papers are a sum of our original papers and other collaborative works.
 
SBlogI From the late 1990’s until today, the Immunology field has lived in a ‘Pattern Recognition Receptor era’. Toll-like receptors was, and still is, the main focus of research in innate immunity. Then, Nod-like receptors and the Inflammasome complex were described and shed new light into PAMP recognition in the cytosolic compartment. Now RIG-like receptors, C-type lectin receptors and intracellular kinases are in the spotlight… in your opinion, what comes next?
Dr. Akira – This is a very difficult question. Identification of cytoplasmic DNA receptor inducing type I interferon will clarify the mechanism how DNA viruses and some intracellular bacteria are recognized by innate immunity. Further, the mechanism how inflammatory responses are controlled in innate immune cells is not well understood. These topics are important to be solved. There may be unexpected findings coming out in the future like innate immunity. I cannot predict it.
SBlogI – Your group, along with other researchers, have recently investigated macrophage polarization between M1 and M2 phenotypes. In addition, the scientific literature in the last years presented to us the description of a great number of different TCD4+ subsets. Do you believe that those cell subsets are really stable in vivo or does the presence of the different phenotypes depend uniquely on the inflammatory environment? In a general manner, how plastic (or stable) are immune cells?
Dr. Akira – Now many T cell researchers believe T cells are plastic to some extent depending on the conditions. Although T cell subsets are extensively studied, the polarization and plasticity of macrophages are less understood. Now macrophages are roughly divided into M1 and M2 macrophages, these M1 and M2 cells include various different cell subsets and needs to be worked to clarify macrophage subsets before discussing its plasticity.
SBlogI Anyone that reads your work quickly apprehends that the use of genetically modified animals, along with cutting-edge equipments and reagents, is fundamental for the description of new immunological mechanisms. How far can an immunologist go without those tools?
Dr. Akira – It is no doubt that appropriate animal models and new technologies help accelerate the research. However, a totally new finding could come out without such techniques if you are lucky.
SBlogI I know that you have already been to Brazil and also have some Brazilian collaborators. Give us your critical view of the Immunology research that is performed here.
Dr. Akira – The immunology research and infectious disease research, though fell apart long time ago, are recently getting closer due to development of innate immunity research. Brazil is good to learn parasite infectious diseases, and I know Brazilian prestigious immunologists working on anti-parasite immunity. I think Brazilian immunology is now emerging, and will become one of important society in the immunology research fields.
SBlogI – What about the country itself… have you had the opportunity to visit Brazil around? Did any of your previous hosts take you to a nice sunny beach?
Dr. Akira – I visited Salvador to attend a Toll meeting. That is a very interesting city with mixed culture, and I enjoyed staying in Brazil very much.
SBlogI Please, leave a final message to the young Brazilian scientists that wish
to pursue research in Immunology.
Dr. Akira – Immunology is one of most rapidly progressing research fields. However, we still cannot eradicate various infectious diseases such as malaria, tuberculosis AIDS and so on, in part because difficulty in developing vaccines. I think novel ideas are required for understanding the immune system by incorporating knowledge in different immunological fields. And I encourage young immunologists to be interdisciplinary and international.
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Abraços, Tiago.
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Prof. Dr. Tiago W. P. Mineo
Laboratório de Imunoparasitologia
Departamento de Imunologia
Instituto de Ciências Biomédicas
Universidade Federal de Uberlândia

Av. Amazonas, s/n – Bloco 4C, Sala 4C01
Campus Umuarama
38405-320 – Uberlândia, MG
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tiago.mineo@pq.cnpq.br
PubMed: http://goo.gl/aASe1
Lattes: http://lattes.cnpq.br/4014578382806189
Google Scholar: http://goo.gl/kXDW9

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