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2 junho, 2015 • 8:00 Enviado por Manoel Barral

Retratações de artigos e outros problemas de integridade científica. Um problema crescente?

Um artigo no New York Times de 28 de maio último foi dedicado ao problema da retratação de artigos científicos (Retracted Scientific Studies: A Growing List aqui). A motivação do artigo foi a retratação na Science do artigo sobre mudança de atitudes frente ao casamento homoafetivo mas cita vários casos emblemáticos anteriores, incluindo o artigo que descreveu a relação entre vacinação e autismo publicado no Lancet e retratado 12 anos depois.
Um artigo da Nature de 2011 (aqui) havia mostrado que o problema  de retratações é crescente. O tema já foi tratado no SBlogI em postagens anteriores (aqui, aqui, aqui, entre outros, incluindo posts nos quais o problema é tratado mesmo não sendo o tema central).
Figura do artigo The Trouble with Retractions (aqui).

Em outubro de 2014, a FAPESP divulgou, identificando os pesquisadores, “Cinco casos de fraude científica – incluindo plágio e fabricação de dados – foram divulgados nesta terça pela Fapesp, fundação pública que financia a pesquisa científica no Estado de São Paulo. Desde o lançamento do Código de Boas Práticas Científicas, em 2011, é a primeira vez que a instituição expõe conclusões de investigações. A divulgação das fraudes deve continuar, conforme forem apuradas. A medida é inédita no Brasil.”
Um possível esquema para ampliar as citações de revistas brasileiras foi denunciado em 2013 (Brazilian citation scheme outed. pdf aqui)
Figura do artigo Brazilian citation scheme outed. pdf aqui

O tema da retratação se soma à cobertura da imprensa para outros aspectos embaraçosos da atividade científica. Em 2012, um artigo na Reuters tratou da questão da irreproducibilidade dos dados de trabalhos científicos publicados. “A former researcher at Amgen Inc has found that many basic studies on cancer — a high proportion of them from university labs — are unreliable, with grim consequences for producing new medicines in the future. … During a decade as head of global cancer research at Amgen, C. Glenn Begley identified 53 “landmark” publications — papers in top journals, from reputable labs — for his team to reproduce. Begley sought to double-check the findings before trying to build on them for drug development. Result: 47 of the 53 could not be replicated. He described his findings in a commentary piece published on Wednesday in the journal Nature.” O artigo da Nature (pdf aqui) mostra aspectos interessantes, inclusive que artigos não reproduzíveis publicados em revistas com Fator de Impacto de 5 a 19, tiveram maior número de citações que os reproduzíveis. 
Tabela do comentário Raise Standards for Preclinical Cancer Research aqui

Contudo, o aumento de retratações não deve apavorar. Os artigos retratados representam cerca de 0,02% dos artigos publicados anualmente e isto pode refletir a decisão mais firme dos editores de retirar os resultados não confiáveis do que um aumento importante do problema. Contudo a divulgação dos episódios na imprensa leiga tende a maximizar os problemas. Assim, ou a comunidade científica enfrenta de forma decidida esta situação ou corre o sério risco de desmoralização e perda de credibilidade de forma perigosa.
  • João Viola

    Infelizmente é um problema crescente na ciência atual. Está acontecendo no Rio de Janeiro esta semana o Congresso Mundial de Ética em Pesquisa, demonstrando a importância do tema.