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28 julho, 2014 • 3:30 Enviado por Pinge-Filho

Torre de Babel

Torre de Babel – Lucas van Valckenborch

Por isso se chamou o seu nome Babel,
porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor
os espalhou sobre a face de toda a terra (Gênesis 11:9).
           
A ativação de macrófagos tornou-se nos
últimos anos um importante tópico na área de imunologia e patologia; cercado de
controvérsias e confusão. Como a Torre de Babel da Bíblia, a ativação de
macrófagos abrange uma panóplia utilizada para processos que seguem caminhos
diferentes. Durante o Congresso Internacional de Imunologia que ocorreu em
agosto de 2013 na cidade de Milan, um grupo de pesquisadores que estudam
macrófagos decidiram estabelecer um guia inicial com orientações de
nomenclatura e para a condução de experimentos. Estas orientações são
apresentadas no artigo de Peter Murray e colaboradores, publicado no último dia
17 de julho no periódico “Immunity”. Seguem abaixo as recomendações sugeridas
pelo grupo, numa tentativa de estabelecer apenas uma linguagem e uma só maneira
de falar, tal como era antes da Torre de Babel.
1-   
Macrófagos
originados da medula óssea de camundongos ou de monócitos humanos (CD14+),
cultivados em CSF-1, permanecem como os sistemas in vitro mais utilizados para gerar macrófagos e devem ser
utilizados como referencia (Figura 1A);
2-   Outras fontes comuns utilizadas para obter
macrófagos: cavidade peritoneal (macrófagos residentes ou elicitados) e a
medula óssea de camundongos (macrófagos cultivados na presença de GM-CSF),
neste caso devem levar-se em consideração as condições de cultivo celular para
gerar populações denominadas M1 e M2, que podem sofrer perturbações funcionais
decorrentes de suas fontes;
3-   
Os
pesquisadores devem definir o ativador utilizado e adotar uma nomenclatura
ligada ao padrão de ativação escolhido, por exemplo, M(IL-4), M(Ig), M(IL-10),
M(glicocorticoides), M(IFN-g), M(LPS) e assim por diante;
4-   Evitar o termo “macrófagos reguladores”, já
que todos os macrófagos são potencialmente reguladores;
5-   
Escolha
dos marcadores de ativação: por exemplo, a utilização do marcador Arginase-1
(Arg1) como um marcador para M2, parece não ser a melhor, já que Arg1 também
esta presente em M1, a associação de marcadores de ativação e fatores de
transcrição pode representar um alternativa para uma boa escolha (Figura 1B);
6-   
Uso
de mutantes para estudar o estado de ativação de macrófagos (Figura 1C), por
exemplo, deleção do fator IRF4  ou KLF6 falha em produzir macrófagos
M(IL-4); e PPARy junto com PPAR∂ são requeridos para ampliar macrófagos
M(IL-4).

Referência bibliográfica
Murray PJ,
Allen JE, Biswas SK, Fisher EA, Gilroy DW, Goerdt S, Gordon S, Hamilton JA,
Ivashkiv LB, Lawrence T, Locati
M, Mantovani A, Martinez FO, Mege JL, Mosser DM, Natoli G, Saeij JP, Schultze
JL, Shirey KA, Sica A, Suttles J, Udalova I, van Ginderachter JA, Vogel SN,
Wynn TA. Macrophage Activation and
Polarization: Nomenclature and Experimental Guidelines.
Immunity. 2014 Jul
17;41(1):14-20. doi: 10.1016/j.immuni.2014.06.008.
Nagela Ghabdan Zanluqui. Mestranda
em Biociências e Biotecnologia – Instituto Carlos Chagas – FIOCRUZ,
Curitiba, Paraná.
Phileno Pinge-Filho. Laboratório de
Imunopatologia Experimental – UEL- Londrina, Paraná.