Pesquisa aponta novo papel da caspase-1 na regulação da transcrição gênica
07 de fevereiro de 2017
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Em estudo publicado no periódico Scientific Reports, cientistas do Centro de Terapia Celular e Molecular (CTC-Mol)  da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em parceria com pesquisadores da Universidade de Toronto e Universidade de Zurich, descreveram o processo inédito onde os inflamassomas estão envolvidos na regulação da transcrição gênica da enzima Nos2 (Óxido Nítrico Sintase Induzida 2).

Os inflamassomas são plataformas proteicas encontradas no citosol de células imunes, como o macrófago. Em resposta a estruturas de patógenos ou sinais de estresse celular, os inflamassomas são montados, resultando no recrutamento e ativação da caspase-1. A caspase-1 ativada, por sua vez, cliva os seus substratos pro-IL-1beta, pro-IL-18 e gasdermina, culminando na secreção das citocinas IL-1beta, IL-18 e indução da morte celular inflamatória denominada piroptose.

Nos últimos anos, o grupo da pesquisadora Karina Bortoluci, do CTC-Mol, vêm estudando novos mecanismos efetores mediados pelos inflamassomas. Em estudo anterior, o grupo demonstrou que os inflamassomas eram capazes de induzir a ativação da enzima NOS2, de maneira independente de IL-1beta e IL-18. No entanto, o mecanismo molecular envolvido na ativação dessa enzima ainda necessitava ser elucidado. Como uma protease (caspase-1) poderia modular a ativação de uma enzima (NOS2), conhecida por ser regulada pelo fator de transcrição NF-kB?

No presente trabalho, os autores demonstraram que a que a caspase-1 cliva PARP-1 (uma proteína associada à cromatina). PARP-1 clivada é liberada da cromatina, permitindo a sua descondensação e acesso do NF-kB ao promotor gênico da Nos2. Importante destacar que a ativação da NOS2 por essa via auxilia no controle de bactérias intracelulares por macrófagos, de maneira independente de IL-1beta, IL-18 e piroptose, podendo ser considerado um mecanismo efetor adicional e não redundante mediado pelos inflamassomas para o controle de infecções.

Resta saber se a caspase-1 exerce atividade epigenética na modulação de outros genes inflamatórios, conhecimento importante para o entendimento da influência dos inflamassomas no controle de infecções e desenvolvimento de desordens neurológicas, metabólicas e patologias inflamatórias.

O estudo completo pode ser lido clicando aqui.

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