Projeto brasileiro é o único da América Latina selecionado em chamada da Chan Zuckerberg Iniciative
21 de maio de 2020
COMPARTILHAR Facebook Twiter Google Plus

Grupo de pesquisadores irá utilizar técnica Single Cell Transcriptomics de forma pioneira no Brasil

Um projeto de pesquisa brasileiro está entre os 29 selecionados no mundo para financiamento da Chan Zuckerberg Iniciative (CZI) - entidade criada por Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, e sua esposa, a pediatra Priscilla Chan, que incentiva a ciência e ações educacionais e filantrópicas. A chamada “Single-Cell Analysis of Inflammation” selecionou projetos relacionados a processos inflamatórios no organismo humano. O projeto coordenado pelos pesquisadores Marcelo Mori e Pedro Moraes-Vieira, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e por Mariana Boroni, pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (INCA), foi o único selecionado em toda América Latina. 

 

Pesquisadores: Marcelo Mori e Pedro Moraes-Vieira, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Mariana Boroni, do Instituto Nacional do Câncer (INCA)

O projeto dos pesquisadores brasileiros propõe uma análise dos processos inflamatórios que ocorrem nos tecidos adiposos de pessoas obesas e não obesas, de ambos os sexos.  O objetivo da pesquisa é identificar novas subpopulações de macrófagos e como essas células atuam no processo inflamatório de pacientes com obesidade, que são mais propensos a doenças crônicas como diabetes até mesmo a Covid-19.

 

“Quando o resultado foi divulgado, vimos vários grupos do Brasil e de outros países que enviaram projetos muito bons para concorrer. Entre os projetos da Universidade Harvard, Universidade Stanford e Universidade Oxford, lá estava a nossa pesquisa aprovada!”, comenta o pesquisador Pedro Moraes-Vieira. 

De acordo com a CZI, 80 pesquisadores foram contemplados, a maior parte deles dos Estados Unidos e Europa. Cada projeto aprovado irá receber o financiamento de 175 mil dólares por pesquisador, o que totaliza o investimento de até 525 mil dólares por projeto. “Nós tivemos acesso a essa chamada através de uma reunião da Human Cell Atlas, que é uma rede internacional de pesquisas”, explica o pesquisador.

 

Projeto “Perfil de alta resolução de células imunes à gordura corporal em populações brasileiras”

O pesquisador Pedro Moraes-Vieira já trabalhava com pesquisa com macrófagos na coordenação do Laboratório de Imunometabolismo, onde o principal foco do seu estudo são os macrófagos residentes no tecido adiposo. “O pesquisador Marcelo Mori vinha trabalhando com adipócitos e envelhecimento, por isso achamos uma boa ideia unir as expertises que cada um tem em diferentes áreas. Convidamos a pesquisadora Mariana Boroni, do Inca, que é bioinformata para fazer parte da equipe”, comenta Pedro. O objetivo principal deste projeto é estudar os macrófagos que atuam nos processos inflamatórios do tecido adiposo.

Síndrome metabólica e macrófagos

A obesidade desencadeia processos inflamatórios no corpo humano. Com o acúmulo da gordura nos tecidos adiposos, as células adiposas começam a se expandir e chegam ao limite de armazenar lipídios. Este processo gera um aumento da quantidade de ácidos graxos fora das células. As células de defesa, os macrófagos, passam a absorver esses ácidos. A consequência disso são as inflamações, que podem ser nocivas ao organismo e resultar na síndrome metabólica - um conjunto de condições que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes.

A proposta dos pesquisadores é coletar amostras do tecido adiposo de pessoas obesas e não-obesas, de ambos os sexos, de diferentes partes do corpo, da gordura localizada abaixo da pele (subcutânea) até a que se acumula nas partes mais profundas do abdômen e envolve alguns órgãos internos (visceral). Para a coleta dessas amostras, a equipe contará com o apoio do professor Elinton Chaim, cirurgião-chefe do Ambulatório de Cirurgia Bariátrica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. “Vamos isolar macrófagos e analisar o perfil de expressão de genes de 10 mil dessas células de forma individual. Assim, gerando 10 mil perfis celulares de expressão gênica. O objetivo é identificar populações celulares ainda desconhecidas. O projeto será iniciado oficialmente em setembro deste ano, mas já temos uma reunião com todos os pesquisadores contemplados em junho”, explica Moraes-Vieira. 

Inovação e colaboração em tempos de crise

O uso dessa técnica de análise de célula única, a Single Cell Transcriptomics, é uma tecnologia ainda pouco utilizada no Brasil, pois requer um alto investimento de recursos. O pesquisador comenta que mesmo com outros financiamentos nacionais, sem o recurso desta chamada, seria difícil iniciar este projeto. “Estamos em contato com duas empresas que irão fornecer o equipamento para a pesquisa. Devido ao custo ser muito alto, este será o primeiro projeto de análise Single Cell realizado em nosso país. É muito importante em um momento como este, de crise econômica e pandemia, obtermos recursos financeiros do exterior”, afirma. Segundo o pesquisador, esta plataforma de Single Cell estará a disposição de toda a comunidade científica. 

 

Saiba mais sobre a Chan Zuckerberg Iniciative e conheça os outros projetos aprovados: neste link. 

 

Usuário
PUBLICADO POR
SBI Comunicação
CATEGORIA DO COLABORADOR
ver todos os artigos desse colunista >

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS NOTÍCIAS
SBI.ImunoTalks: "Innate immune response in COVID-19"
SBI Comunicação
18 de setembro de 2020
Festival Pint of Science 2020
SBI Comunicação
03 de setembro de 2020
Nota da Sociedade Brasileira de Imunologia sobre a importância da vacinação
SBI Comunicação
02 de setembro de 2020