Um sinal de alerta para a doença de Chagas
16 de maio de 2016
COMPARTILHAR Facebook Twiter Google Plus

Pesquisa sugere possível relação de molécula RNA longo não-codificador com a principal manifestação clínica em pacientes chagásicos

Por Márcio Derbli, repórter colaborador SBI/NcgCE
 
A principal consequência clínica da doença de Chagas é a cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), que atinge 30% dos pacientes. Uma pesquisa publicada no The Journal of Infectious Diseases, demonstrou que um RNA longo não-codificador (LncRNA), o MIAT (ou myocardial infarction–associated transcript), é diferencialmente expresso no tecido dos corações de pacientes com CCC comparados com pacientes com outras cardiomiopatias. O estudo é resultado de uma colaboração franco-brasileira e foi publicado por Amanda Farage Frade, Edecio Cunha-Neto, do Instituto do Coração (InCor)/Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e outros pesquisadores.
Para confirmar os resultados, os pesquisadores extraíram amostras de RNA de amostras de sangue periférico de pacientes chagásicos, de tecidos do ventrículo esquerdo de corações de pacientes chagásicos e com outras cardiopatias (pacientes que receberam transplantes). Também pesquisaram o RNA extraído de blocos parafinados do acervo do InCor.  “Várias pessoas colaboraram, por isso fizemos a pesquisa na expressão gênica, nas amostras de tecido cardíaco obtidas a fresco. Também conseguimos extrair RNA de amostras de blocos parafinados da biblioteca do InCor, um acervo que começou em 1986; elas também confirmaram a diferença de expressão gênica do MIAT”, comenta Amanda Frade, que participou do trabalho durante seu pós-doc na Université Aix-Marseille (França), com o professor Christophe Chevillard, também autor da pesquisa.
“Ao comparar o tecido cardíaco dos chagásicos com os pacientes de outras cardiomiopatias e amostras controle, foi possível observar a expressão muito aumentada do MIAT”, explica Edecio Cunha-Neto.
Os dados publicados podem, eventualmente, levar a criação de um biomarcador para prognóstico que seria útil na tomada de decisões clínicas em relação a pacientes chagásicos. Uma vez identificada a alta expressão da molécula – que apontaria para o agravamento da condição clínica – o tratamento do paciente poderia ser alterado procurando minimizar os danos. “Também pode apontar para mecanismos até então desconhecidos da patogenia da doença de Chagas, envolvendo a microvasculatura”, observa Edecio.

Usuário
PUBLICADO POR
SBI Comunicação
CATEGORIA DO COLABORADOR
ver todos os artigos desse colunista >
OUTRAS NOTÍCIAS
O DNA mitocondrial liberado pelas células tumorais senescentes potencializa a imunossupressão das células mieloides através da via do cGAS-STING
SBI Comunicação
29 de agosto de 2025
Infecções virais respiratórias podem despertar células de câncer de mama dormentes no pulmão
SBI Comunicação
29 de agosto de 2025
Estresse crônico promove elevada permeabilidade intestinal e induz a produção de IL-22 que contraregula a ansiedade via neurônios
SBI Comunicação
29 de agosto de 2025