As vacinas tão no grau, mami!
26 de abril de 2022
COMPARTILHAR Facebook Twiter Google Plus

Por: Oscar Bruna Romero

Professor titular de doenças infecciosas e vacinas - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

 

 

As vacinas têm longa história, e foram aos poucos ganhando sua classificação como uma das mais eficientes medidas para manter a saúde das populações, junto com a higienização da água e o uso de antibióticos. Elas estão colocadas num pedestal pelo seu próprio merecimento, ao terem atingido números extremamente favoráveis nas estatísticas de saúde de todos (sem exceção) os países do planeta.

E por que uma vacina é tão boa para a nossa saúde? O que ela faz no nosso corpo? 

As vacinas permitem que o nosso corpo tenha uma experiência de “realidade virtual” de um treinamento de luta contra microrganismos que possam querer nos infectar. 

Deixa explicar melhor... Você sabe aquela experiência que a gente tem quando coloca óculos de realidade virtual? Já sentiu que estava caindo de um penhasco íngreme ou que estava subindo e descendo numa montanha russa sem sair da sua poltrona de casa ou num sofá no shopping? Eu já senti. E não foi uma experiência que parecia estar acontecendo de verdade? Mas, na realidade foi só o nosso cérebro que teve essa impressão, porque o nosso corpo estava sentado num lugar perfeitamente seguro.

O mesmo acontece no caso das vacinas. A impressão que o nosso corpo tem é que está sendo infectado por algum micro-organismo perigoso que vai causar alguma doença grave, quando na realidade o que está acontecendo é uma experiência virtual que a vacina nos proporciona. E igual aos pilotos de avião que usam os óculos VR (de realidade virtual) para treinar pousos e decolagens, a vacina treina o nosso organismo sobre como ele deveria responder quando passe pela experiência real de uma infecção.

O nosso organismo sente, do ponto de vista das nossas defesas imunes, a experiência da vacinação como sendo muito parecida a uma infecção real (pode ter algo de inflamação, pode induzir resposta de anticorpos e vários outros tipos de respostas de memória para depois lembrar do que aconteceu, etc), mas do ponto de vista patológico (isto é, o que tem a ver com a doença mesmo) ele nunca sofre a infecção real, pelo que poderemos continuar a nossa vida de forma normal e sem maiores preocupações.

Mas, ainda não confio... já ouvi muito sobre os efeitos adversos. O que me diz sobre isso?

A respeito da segurança das vacinas, o leitor deveria considerar o risco relativo quando comparado a outras atividades do nosso dia a dia. Olhando, por exemplo, na tabela abaixo o risco de morrer no trânsito (por ir trabalhar, ir ao supermercado ou ao shopping, etc) ele é de 2.796 vezes maior do que se vacinar. Estou falando de números oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde, e que podem ser consultados. Se considerarmos o consumo de álcool, ele é responsável por colocar você num risco de morte direta 639 vezes maior do que quando você se vacina. E a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático mostra que se olharmos para o risco de morrer afogado na praia, rio, lagoa etc, num dia qualquer de férias, ele é 487 vezes maior do que se vacinar.

 

 

O que você pensa disso? Será que ainda não acha que as vacinas “estão no grau” e vale muito mais a pena se vacinar contra o que possa lhe colocar em risco antes do que passar por essas doenças?

 

 

 

 

- Cada artigo publicado no SBlogI é independente e de responsabilidade do próprio autor.

PUBLICADO POR
SBI Comunicação
Colunista Colaborador
ver todos os artigos desse colunista >
OUTROS SBLOGI
A Imunologia em tempos de crise sanitária: por que é fundamental desenvolvermos esta ciência?
SBI Comunicação
21 de outubro de 2022
Série "Aprenda Imunologia" - Você sabe o que é método científico?
SBI Comunicação
21 de outubro de 2022
Série "Aprenda Imunologia" - Pandemia, epidemia ou endemia? Qual a diferença entre elas?
SBI Comunicação
21 de outubro de 2022