O que são inflamassomas?
22 de junho de 2021
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Bortoluci Lab - Laboratório de Imunologia Molecular

Primeiramente, precisamos entender que o sistema imunológico pode ser dividido em duas frentes de ação: a imunidade inata que nasce pronta com o indivíduo e constitui nossa primeira linha de defesa contra infecções e a imunidade adaptativa - que é a imunidade adquirida ao longo da nossa vida, ativada após o contato com diferentes tipos de agentes infecciosos. É na imunidade inata que os inflamassomas atuam! 

Eles são “plataformas” compostas por diversas proteínas que se formam no citoplasma das nossas células em resposta a infecções ou estresse celular. Essas plataformas ativam uma protease chamada caspase-1 [que faz parte de uma classe de proteínas que “quebram” proteínas] que tem algumas funções importantes para a defesa contra patógenos. 

De maneira bem simplificada, após o contato com estruturas do patógeno ou sinais de estresse celular (alterações em organelas ou desequilíbrio iônico), as proteínas iniciadoras mudam a sua conformação o que permite a interação com a proteína adaptadora chamada ASC, a qual recruta a caspase-1. A caspase-1 é necessária para a maturação e secreção de duas citocinas inflamatórias bem importantes, IL-1ꞵ e IL-18 que ativam e recrutam células de defesa contra patógenos. 

A caspase-1 também cliva a Gasdermina D - uma molécula que quando clivada é capaz de se inserir e formar poros na membrana da célula, resultando em um tipo de morte celular bem especial, chamada piroptose. Na piroptose, os poros formados na membrana causam um desequilíbrio osmótico na célula causando a sua lise. Nesse processo, há a liberação do conteúdo da célula com as citocinas IL-1ꞵ e IL-18, o que induz uma resposta inflamatória. Assim, a piro (vem de fogo) ptose (significa falha) é uma morte celular inflamatória, diferente da apoptose que é um processo de morte celular silencioso. 

A piroptose auxilia no controle de patógenos intracelulares, uma vez que induz a perda do nicho onde o patógeno se nutre para replicar. Esse patógeno fica preso em um pedaço de membrana da célula piroptótica que é chamado PIT (Pore Induced Trap) e assim está exposto para ser controlado pelas células imunes que foram atraídas ao local pelo ambiente inflamatório criado. 

Importante ressaltar que os inflamassomas são poderosos mecanismos de combate a infecções no organismo. No entanto, esse processo precisa ser regulado uma vez que a ativação exacerbada dos inflamassomas está relacionada ao desenvolvimento de diversas patologias como autoimunidades, doenças neurodegenerativas, distúrbios metabólicos, transtornos neuropsiquiátricos e até mesmo câncer.

 

> A arte e o conteúdo foram produzidos pelo Bortoluci Lab - Laboratório de Imunologia Molecular, coordenado pela vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), Karina Bortoluci (UNIFESP).

PUBLICADO POR
SBI Comunicação
Colunista Colaborador
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