Um papel não canônico para o gene de englobamento ELMO1 em neutrófilos que promove artrite inflamatória
07 de abril de 2019
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Por: Allana Ferreira da Costa Pessoa e Leonardo Lima Santos (Doutorandos IBA/FMRP-USP)

 

Editora: Luciana Benevides

 

A artrite reumatoide é caracterizada por uma inflamação crônica com destruição progressiva das articulações (1). Embora terapias eficazes tenham sido introduzidas, uma fração significativa de pacientes com artrite reumatoide é refratária às terapias existentes (2). Estudos têm associado a presença de polimorfismos de nucleotídeo único (SNP’s) em genes que compõem a via de englobamento de células apoptóticas (Figura 1) como possíveis causas para a resistência ao tratamento e desenvolvimento da doença (3,4). No entanto, ainda não foi esclarecido como os componentes da via de englobamento de células apoptóticas poderiam atuar na artrite reumatoide.

Arandjelovic e colaboradores (5) avaliaram o papel dos componentes da via de englobamento de células apoptóticas na artrite reumatoide. Inicialmente, foi visto uma alta frequência de SNP’s no gene Elmo1 que compõe a via de sinalização de englobamento de células apoptóticas associado a artrite reumatoide. Contrariando dados anteriores já publicados, camundongos com deficiência de Elmo1 mostraram redução da inflamação articular em modelos de artrite aguda e crônica. Análises moleculares revelaram que Elmo1 se associa a receptores ligados à função de neutrófilos regulando a sua ativação e recrutamento para as articulações, sem inibir a inflamação em modelo de arttite em camundongos. Além disso, neutrófilos do sangue periférico de doadores humanos que carregam o SNP’s em Elmo1 exibiram uma maior capacidade migratória, enquanto o silenciamento de Elmo1 reduziu a migração de neutrófilos humanos mediados por leucotrieno B4 produzidos durante artrite. Esses dados identificam os papéis "não-canônicos" de Elmo1 como um importante regulador da artrite por meio da função de neutrófilos.

Figura 1: Representação esquemática da via de sinalização celular para o englobamento de células apoptóticas. O complexo de proteínas ELMO1 – DOCK2 – RAC1 atua “downstream” ao receptor BAI1 promovendo o rearranjo do citoesqueleto de fagócitos necessário para o englobamento de células apoptóticas.

 

Referências

  1. MCINNES, IB & SCHETT, G. The pathogenesis of rheumatoid arthritis. N. Eng. J. Med. 365, 2205–2219 (2011).
  2. MOOTS, RJ & NAISBETT-GROET, B. The efficacy of biologic agents in patients with rheumatoid arthritis and an inadequate response to tumour necrosis factor inhibitors: a systematic review. Rheumatology (Oxford) 51, 2252–2261 (2012).
  3. DING J, EYRE S, WORTHINGTON J. Genetics of RA susceptibility, what comes next?. RMD Open 1, e000028 (2015).
  4. ARANDJELOVIC, S. & RAVICHANDRAN, KS. Phagocytosis of apoptotic cells in homeostasis. Nat. Immunol. 16, 907–917 (2015).
  5. ARANDJELOVIC S, PERRY JSA, PENBERTHY KK, KIM TH, ZHOU M, ROSEN DA, CHUANG TY, BETTINA AM, SHANKMAN LS, COHEN AH, GAULTIER A, CONRADS TP, KIM M, ELLIOT MR, RAVICHANDRAN KS. A noncanonical role for the engulfment gene ELMO1 in neutrophils that promotes inflammatory arthritis. Nat. Immunol. 20, 141-151 (2019).

 

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