As células Th17 são um tipo de célula do sistema imunológico que produz substâncias importantes, como IL-17 e IL-22. Elas atuam principalmente em regiões como intestino, pulmão e pele, sendo essenciais para o controle de infecções causadas por bactérias e fungos. Além desse papel importante em infecções, essas células também participam de processos inflamatórios do organismo. Quando sua atividade ocorre de forma persistente ou fora do contexto adequado, elas podem contribuir para doenças como psoríase, esclerose múltipla e doença inflamatória intestinal.
Em um estudo, publicado na Nature Communications, um grupo de pesquisadores investigou um aspecto ainda pouco explorado: como essas células lidam com danos no seu próprio DNA durante sua ativação. Quando as células do sistema imunológico entram em atividade, elas passam por mudanças intensas para exercer suas funções. Nesse processo, são geradas substâncias que podem afetar estruturas da própria célula, incluindo o DNA. Por isso, é fundamental que existam mecanismos eficientes de reparo para manter o funcionamento adequado dessas células.
A pesquisa foi conduzida durante o pós-doutorado de Jefferson Antônio Leite, no Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP), sob supervisão dos Profs. Niels Olsen Saraiva Câmara e Carlos Frederico Martins Menck, em colaboração com grupos nacionais e internacionais.
“Demonstramos que uma proteína chamada XPC exerce um papel central nesse processo. Essa proteína atua como um sensor que reconhece alterações no DNA e ajuda a coordenar o seu reparo. Observamos que, durante a formação das células Th17, a expressão de XPC aumenta, indicando que essas células dependem desse mecanismo para manter sua integridade”, explica Jefferson Antônio Leite.
O estudo também mostrou que a XPC não atua isoladamente. Ela funciona em conjunto com outros mecanismos de reparo do DNA, formando uma rede coordenada que protege a célula contra danos. Quando essa coordenação não ocorre de forma adequada, há um desequilíbrio nesses processos, o que impacta diretamente a atividade celular.
Do ponto de vista mais amplo, os resultados mostram que o funcionamento adequado do sistema imunológico depende não apenas de sinais externos e moléculas inflamatórias, mas também da capacidade das células de preservar a integridade do seu próprio DNA.
“É importante destacar que a proteína XPC já é conhecida por seu papel em uma doença genética rara chamada xeroderma pigmentoso. Nessa condição, falhas no reparo do DNA tornam os indivíduos extremamente sensíveis à luz solar e aumentam significativamente o risco de câncer de pele. Os achados deste estudo ampliam essa compreensão, mostrando que essa mesma proteína também é essencial para o funcionamento de células do sistema imunológico”, comenta o pesquisador.
Em conjunto, o trabalho aponta uma conexão direta entre reparo do DNA, metabolismo celular e função imunológica, contribuindo para a compreensão de doenças inflamatórias e abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas.
O artigo pode ser acessado em: https://bit.ly/3Q8DDuV
Autores: Jefferson Antônio Leite, Natalia Notarberardino Bos, Luísa Menezes-Silva, Eloísa Martins da Silva, Giovana da Silva Leandro, Guilherme Comparotto Moreira de Goes, Patrick da Silva, Samuel Oliveira, Eder Soares de Almeida Santos, Hedden Ranfley, Ilaria Palagi, Magaiver Andrade-Silva, Camila Pontes Ferreira, José Arimatéa de Oliveira Nery Neto, Victor Yuji Yariwake, Marcella Cipelli, Beatriz Leocata, Talita Gonçalves, Anthony Gabry da Silveira, Sabrina Baroni, Howard L. Weiner, Thomas G. Hofmann, Stefanie Scheu, Bruno Junior Neves, Nadja Cristhina de Souza-Pinto, Leandro Machado Colli, Ari Waisman, Sandra Marcia Muxel, Carlos Frederico Martins Menck & Niels Olsen Saraiva Câmara.
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